O impulso maior veio de Carlos Reichenback, que apoiou a idéia e ressaltou a importância de se atuar de forma independente e com propostas novas: assim nasceu o NUCA - Núcleo de Cinema de Atibaia. De vida curta, mas bastante profícua, o NUCA chegou a realizar várias mostras de filmes Super 8 na cidade, numa delas exibindo somente filmes selecionados no Festival de Gramado. O Festival de Gramado foi por muito tempo a maior vitrina do cinema Super-8 no país. As mostras de Atibaia passaram a acontecer também em Campinas, gerando mais tarde a Mostra de Cinema Super-8 de Campinas, que se manteve por vários anos (tenho conhecimento até a 10 edição). A publicação de CINEMAGIA, um jornalzinho sobre cinema independente, também foi trabalho do NUCA. Fizemos ainda o vídeo Todos os Fogos, cuja única cópia se perdeu. É bom lembrar que no mesmo período aconteceu outro fato importante relacionado ao cinema local. Foi a intervenção da Prefeitura, através da insistência do Diretor de Cultura na época, Gilvan Elias Pereira, para manter a única sala de exibição da cidade, que por pouco não se transformou em mais um local de comércio comum. Lembro-me que depois de várias tentativas: da concessão a cineclubes, ao aluguel para empresas cinematográficas comerciais, a Prefeitura optou pela responsabilidade de dividir o aluguel do imóvel com a Empresa São Luis, através de licitação, que assumia assim o compromisso das exibições. Dessa forma o cinema foi reformado e o pequeno palquinho existente foi ampliado. Com isso a cidade ganhou também um espaço cênico, aproveitando o excelente projeto acústico já existente do Cine Atibaia, que passou a chamar Cine-teatro Atibaia. Nessa época Atibaia não dispunha de nenhum espaço para apresentações de teatro e dança. A qualidade dos filmes exibidos e da projeção era uma exigência de contrato, destacando a obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais. O Departamento de Cultura tinha acesso ao espaço uma semana a cada mês, para eventos e programações por ela realizada. É bom lembrar que nesse periodo eram quase inexistentes o repasse de verba da cultura para os municípios, rarissimos os projetos encaminhados pela Secretaria de Estado ou Ministério da Cultura, e o que se contava eram com parcos recursos municipais disputados palmo a palmo com outras Secretarias. Hoje o Cine Atibaia ainda é o único espaço exibidor da cidade. Anos mais tarde esse acordo foi bastante criticado pela oficialidade local, que infelizmente não demonstrou sabedoria suficiente para fazer uma análise dentro do contexto histórico, e preferiu a superficialidade da crítica rasa, buscando somente desqualificar gestões passadas, visando interesses eleitorais (e pessoais). E já que estou pondo alguns pingos nos ís, vale a pena ressaltar que embora não conste em nenhum crédito, o Garatuja teve papel fundamental na realização dessa oficina e conseqüentemente do curta. Muito da infra-estrutura empregada em sua realização foi dada pelo Garatuja: do espaço físico ao telefone. Sem cobrar nada por isso. O Garatuja poderia perfeitamente receber, pelo menos, os créditos como realizador no filme. Não permiti, pois achava (e continuo achando) que isso caracterizaria promoção pessoal, tendo a Élsie, minha esposa, como Coordenadora de Eventos da Cultura e posteriormente Diretora de Cultura. Quanta ingenuidade, se comparada aos dias atuais, onde artistas se promover através de cargo público é prática corriqueira. Abaixo o vídeo.Márcio Zago


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